
Nos dias 14 e 16 de março, no município de Atalaia (AL), foi realizada a primeira expedição oficial de campo denominada “Rota da Gruta”, idealizada pelo recém-formado em História pela Estácio de Sá, o historiador e pesquisador Felipe Kauê, que também atua como conselheiro municipal de turismo de Atalaia.
A expedição contou com uma abordagem interdisciplinar, reunindo professores convidados das áreas de História, Geografia, Química e Sociologia: Ewerton Danilo (Geografia), José Joanes (Química), Estenio Andrade (História) e Luciana Costa (Sociologia), além do acompanhamento de um bombeiro civil, garantindo a segurança da equipe durante todo o percurso. Também participaram convidados com relevância no município e no estado, entre eles secretários municipais de outras cidades, pesquisadores, amantes de atividades de aventura e autoridades, como a vereadora Joana Darck.
O principal objetivo da ação foi a realização de uma pesquisa de campo voltada à identificação de possíveis indícios de inscrições rupestres na Gruta da Moça, além da análise do casarão e do complexo hidráulico-industrial da usina, elementos fundamentais para a compreensão histórica, cultural e econômica da região.
A programação foi dividida em dois momentos. No primeiro dia (14), as atividades se concentraram na região da Usina Uruba e na área da gruta. Já no segundo dia (16), além do retorno à região da Uruba, os participantes foram conduzidos a outros pontos históricos do município, incluindo a tradicional “Rua de Cima”, considerada um dos locais onde tudo começou na cidade, com destaque para o casarão informal, com cerca de 200 anos de história, e a icônica locomotiva Maria Fumaça, importantes marcos da memória local.
No segundo dia de atividades, a expedição também contou com o acompanhamento institucional da Secretaria Municipal de Defesa Social, reforçando o apoio à iniciativa e contribuindo para a segurança e organização das atividades.
A “Rota da Gruta” integra um circuito mais amplo de pesquisas de campo estruturado em diferentes eixos temáticos. Entre eles, destaca-se a própria rota da gruta, com foco na pré-história e nos indícios de ocupação humana anterior ao período colonial. Há também a “Rota Matriz”, voltada à formação inicial do núcleo urbano de Atalaia. Outro eixo é a “Rota dos Bangüês”, que se dedica ao estudo do desenvolvimento econômico local, com base na produção açucareira, nos engenhos bangüês e na consolidação da monocultura da cana-de-açúcar na região. Já a Rota da Nacêa tem como foco a análise territorial, ambiental e paisagística da Serra da Nacêa, considerada o ponto mais alto do município, ampliando a compreensão geográfica e o potencial turístico da área.
Durante a atividade, Felipe Kauê também atuou como monitor de turismo, formação adquirida pelo Instituto Federal de São Paulo (IFSP), conduzindo o grupo com orientação técnica e interpretação histórica dos pontos visitados.
A iniciativa faz parte de um plano de resgate histórico, cultural, de memória e fomento ao turismo de Atalaia, desenvolvido pelo pesquisador há mais de um ano. O projeto está estruturado em quatro eixos, sendo a pesquisa de campo fundamental para o fortalecimento do eixo histórico. Como resultado, está em construção, junto a profissionais de diversas áreas, um caderno pedagógico referencial da História e Geografia de Atalaia.
O grupo de pesquisadores e professores que compõe a comissão também deverá contar, futuramente, com o acompanhamento de um policial ambiental nas atividades de campo, especialmente nas áreas de Mata Atlântica, reforçando o compromisso com a segurança e a preservação ambiental durante as pesquisas.
Felipe Kauê também destacou o apoio institucional recebido, agradecendo ao vereador Neto Acioli, responsável por mediar o diálogo com a Cooper Vales, órgão responsável pela área. O pesquisador também agradeceu ao gerente geral, Dr. Ricardo Paiva, que, com sensibilidade, autorizou a realização da visita técnica e da pesquisa, além de se colocar à disposição para apresentar a estrutura da usina aos professores, estudantes e convidados.
Por fim, Felipe Kauê ressalta que a expedição representa um marco histórico para o município e o início de um trabalho que, segundo ele, tem potencial para transformar a educação local, abrangendo as dimensões formal, ambiental e patrimonial.








































