Cultura Cordel Atalaia

Cordelista atalaiense homenageia Atalaia no seu aniversário de 257 anos

Professora Rosilda Ferreira é cordelista e reside no Distrito Santo Antônio.

30/01/2021 09h05 Atualizada há 2 semanas
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Por: Phablo Monteiro
Com cordel, professora Rosilda Ferreira homenageia os 257 anos de Atalaia.
Com cordel, professora Rosilda Ferreira homenageia os 257 anos de Atalaia.

Dizem que mesmo sendo pequeno e delicado, dentro de um cordel “cabe o mundo todo”. Pois, dentro da obra recém divulgada pela cordelista atalaiense Rosilda Ferreira, coube mais de três séculos de história, para homenagear o aniversário de 257 anos de fundação de Atalaia, comemorado na próxima segunda-feira, dia 1 de fevereiro.

A professora Rosilda é uma das grandes artistas da cidade, com seu cordel que encanta a todos que conhecem as suas obras. Na mais recente, com o tema ATALAIA, soube expressar em versos, estrofes e métrica, todo o amor por sua terra natal. 

“É com muito carinho que apresento esse cordel com o tema ATALAIA e que possamos juntos reviver a nossa história, a nossa origem, porque temos uma história linda, de muita luta, muita garra e muita resistência”, destaca a cordelista.

Rosilda Ferreira reside no Distrito Santo Antônio. É professora da rede municipal e atualmente é gestora da Escola Municipal Francisco de Albuquerque Pontes.  

Confira logo abaixo o cordel ATALAIA:

Entre rimas e versos

Nesse cordel quero homenagear

Minha querida Atalaia

Cidade melhor não há.

 

Sob sangue e lágrimas

Derramados incessantemente

Atalaia viu seu solo crescer

Progredindo abundantemente.

 

Os escravos não suportando

Tanta crueldade e dor

Organizaram fugas em massas

E no Quilombo se refugiou.

 

Assim começou a saga

Desse povo sofredor

Que lutou pela liberdade

Com resiliência e furor.

 

Para resolver a situação

Das fugas dos escravos

O Governador de Pernambuco

Contratou um capitão do mato.

 

Domingos Jorge Velho

Um sanguinário destemido

Que perseguiu e exterminou

Causando lamentos e gemidos.

 

Zumbi dos Palmares

Símbolo de resistência

Da luta não fugiu

Lutou com muita decência.

 

Travou uma enorme batalha

Numa guerra sem fim

Zumbi foi derrotado

E teve um triste fim.

 

Sua cabeça foi decapitada

Exposta em praça pública

Exibida como troféu

Da terrível e sangrenta luta.

 

Atalaia terra mãe

De Capela, Cajueiro e Viçosa

Pense num povo nobre

De pessoas esperançosas.

 

Minha gloriosa cidade

Seu aniversário é 1º de Fevereiro

Comemorado com procissão

Pastoril, Cavalhada e Guerreiro.

 

Preste atenção no que digo

A história você pode gravar

Atalaia tem vários nomes

Veja que espetacular!

 

Arraial dos Palmares

Vila Real de Bragança

Arraial de Nossa Senhora das Brotas

E Atalaia, que significa vigilância.

 

Nosso município é cortado

Pela BR-316

Vem conhecer a nossa história

De guerreiros, escravos e rei.

 

Reduto dos Palmarinos,

Assim como é chamada

A 48 quilômetros da capital

Ela fica localizada.

 

O clima de Atalaia

Veja que sensacional

É quente e úmido

É o clima tropical.

 

Nosso município é limite

Com Pilar, Rio Largo e Murici

Capela e Boca da Mata

Cuidado para não confundir.

 

Em seguida vem Pindoba

Maribondo vem também

Lembrar isso é preciso

E sempre nos convém.

 

O relevo de Atalaia

Coisa linda de se vê

Seu planalto é deslumbrante

É até difícil descrever.

 

Tem uma planície exuberante

Cortada pelo Rio Paraíba

O município é pontilhado 

Por morros e serras bem esculpidas.

 

Esculpida pela mão de Deus

Numa delicadeza sem igual

Minha pequena Atalaia

És muito especial.

 

Decorada por muitas serras

Para você eu vou citar

Tem Dois Irmãos e Torjal

Entre Atalaia e Pilar.

 

Com 200 metros de altitude

Bem pertinho de Porangaba

Localiza-se a Serra Bolívia

Por Deus muito abençoada.

 

Fazendo a comparação

Entre Atalaia e Viçosa

É a serra Bananal

Separando também Pindoba.

 

Para vocês vou revelar

A Serra Cajazeira e Tauí

E não menos importante

A serra do Ouricuri.

 

Com 700 metros de altitude

O ponto culminante deste lugar

É a serra Nacea

Cheia de mistérios a decifrar.

 

A economia de Atalaia

Olha que interessante

O cultivo da cana de açúcar

É sempre predominante!

 

A culinária de Atalaia

Tem tapioca e angu 

Tem inhame e carne de sol

Mas, o prato principal é o pitu.

 

Quem disse que Atalaia

Não tem o que se mostrar?

Temos artistas incríveis

 De currículo exemplar.

 

Vandete Pacheco escritora

Mulher de muitos e belos feitos

Deixou a sua contribuição

E um legado de respeito!

 

Tio Tonho, famoso lambe-sola

Homem trabalhador

Cada verso recitado

Resplandecia seu valor.

 

Cláudio Cardoso fez historia

Foi um poeta encantador

Com suas rimas inspiradoras

Muitas vidas ele alegrou.

 

A bela Renata Miranda

Dona de um lindo sorriso

Com seus versos e rimas

Trouxe alivio aos cativos.

 

Aos cativos de coração

Seus livros trouxe liberdade

Pois, no mundo da poesia

Podemos viver imaginação ou realidade.

 

Atalaia pode ser considerada

Um celeiro de artistas

Até no Distrito Santo Antônio

Mora uma cordelista.

 

E no futebol por esse mundão

Um grande jogador se destacou

Aloísio Chulapa

Nossa cidade representou.

 

Borboletas sempre voltam

Assim cantava com esplendor

Júnior Rocha com essa canção

Aos atalaienses emocionou.

 

Quem visita Atalaia

Sempre quer retornar

E se conhecer a Santa Tereza

Aqui mesmo quer morar.

 

Atalaia, reduto dos Palmarinos

Cheias de memórias incríveis

Falar da nossa história

É reviver a nossa origem.

 

Minha querida Atalaia

Cheia de encantos mil

És bela, minha cidade

Pedaço do meu Brasil.

 

ROSILDA FERREIRA - UM POUCO DE MINHA HISTÓRIA

Eu sou Rosilda, estou com 43 anos. No ano de 1976, eu nasci. Moro até hoje no Povoado que vivi toda a minha “infância”.

Quando eu tinha 8 anos de idade, meu pai sofreu um grave acidente. Minha mãe precisou ficar com meu pai no hospital. Minha família era muito humilde, morávamos num pequeno casebre. Minha irmã mais velha não gostava da casa e foi morar com minha avó materna, deixando-me sozinha para cuidar dos meus outros cinco irmãos.

Passei a cuidar dos meus irmãos e assim, tive que ser privada de minha infância, pois precisei ter responsabilidades de adulto.

Não foi fácil, mas consegui!

Aos 11 anos de idade, precisei costurar um sapato para ir estudar. E isso tornou-se um trauma na minha vida. Fui uma pessoa que muitos anos vivi aprisionada a sombra desse passado.

Aos 14 anos de idade, consegui meu primeiro emprego em uma fazenda chamada Espírito Santo, lecionava em uma turma de multisseriados.

Quando consegui minha independência financeira, cheguei a possuir100 pares de sapatos.

Um dia, estando eu em oração, Deus me fez compreender que eu não precisava “ter medo” e que não mais necessitava de tantos pares de sapatos. Nesse exato momento me libertei daquilo que me aprisionava ao passado e fiz uma doação de metade dos meus sapatos.

Em 1996, casei com Sérgio Félix, em 1997, nasceu nosso primeiro filho, Sávio. Em 2008, fui mãe de uma menina: Sabrina, minha princesinha.

Em 2010, passei a exercer o cargo de Coordenadora Pedagógica na Escola Municipal Francisco de Albuquerque Pontes.

Meu primeiro Cordel, surgiu com a doença de meu pai. Depois escrevi outros, mas só em 2009, meus Cordéis começaram a ser divulgados.      

Em 2019, meus Cordéis passaram a ser reconhecidos e divulgados no Município de Atalaia.

Hoje, sou uma pessoa realizada, feliz e grata a Deus por tudo que Ele me proporcionou e me  proporciona em todas as áreas da minha vida.

Não sou rica, mas tenho um tesouro maior que esse “A Paz de espírito. ” Apesar das circunstâncias, nunca fiz nada ilegal para alcançar meus objetivos.

Sinto orgulho dos meus pais e do que me tornei, graças primeiramente a Deus e a eles.

Enfim, através da poesia eu consigo externar minhas conquistas, angústias, alegrias, amor.

Isso me deixa realizada. E tudo que vivi foi fundamental para que eu me tornasse um ser humano melhor. 

De vez em quando, olho para trás, não para relembrar o que vivi, mas para nunca esquecer de onde eu vim e para nunca deixar a arrogância, nem a soberba fazer parte de mim.

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