
Um dos maiores símbolos da folia atalaiense está de volta. O tradicional Bloco Boi do Cú Pelado, que desfilou pela última vez no Carnaval de 2020, retorna à programação carnavalesca em 2026 e promete encerrar a folia da maneira marcante que o consagrou ao longo das décadas.
A retomada ganhou força a partir da criação de um grupo de amigos atalaienses no WhatsApp, onde a ideia de resgatar o Boi do Cú Pelado começou a circular, mobilizar antigos foliões e despertar o sentimento de saudade de uma das manifestações culturais mais emblemáticas do município. Desde então, o grupo vem se organizando para viabilizar cada detalhe do retorno.
A edição de 2026 será especial não apenas pela retomada, mas também por carregar a memória de Cacau Medeiros, um de seus fundadores e principal símbolo do bloco, falecido em julho de 2020. Considerado o maior realizador de festas da história de Atalaia, Cacau deixou como legado a simplicidade, a alegria e a integridade, valores que seguirão ainda mais vivos com a continuidade do bloco que ele tanto amava.
O Bloco Boi do Cú Pelado surgiu no dia 1º de fevereiro de 1980, durante o aniversário de Atalaia, por iniciativa dos amigos Cacau, Cacai, Osmar, Zé Urânio, Renan Calheiros e Manuzinho. Nas primeiras edições, de forma simples e improvisada, o grupo amarrava a representação do boi em uma pampa velha e saía pelas ruas da cidade acompanhado apenas por um trio de sanfoneiros.
Com o passar dos anos, a brincadeira cresceu e se transformou em bloco, reunindo inicialmente entre 50 e 60 pessoas. O desfile incluía paradas obrigatórias nas portas de amigos que participavam da festa.
No final da década de 1980, a introdução de uma banda de frevo impulsionou ainda mais o crescimento do bloco, que passou a atrair centenas de foliões e se consolidou definitivamente no calendário carnavalesco de Atalaia. O Boi do Cú Pelado se tornou a grande atração da terça-feira de Carnaval, encerrando oficialmente a folia no município.
Em depoimento ao documentário “Memórias da Casa de Meu Pai”, produzido por João Mendonça e Jal Gomes e lançado em 2019, Cacau Medeiros relembrou com bom humor o crescimento inesperado do bloco, que chegou a reunir entre 800 e 900 foliões. “Isso sem camisa e sem organização. Com o boi feito nas carreiras, pertinho do carnaval. A gente coloca um boi mal-feito na frente e o povo adora aquele negócio de queimar o boi, fazendo aquela roda”, contou.
No mesmo documentário, Cacau destacou a popularização do Bloco. "O pessoal mais... se afastaram, porque o Boi se tornou povão. Bata a lata ali e o povo junta tudo. Mas, pra gente foi gratificante. O saudosista diz, vamos voltar o bloco velho, eu digo pra quê? Pra chegar no dia do frevo e barrar o povo? Não. Agora, liberou, é pra todo mundo. É um bloquinho que a gente espera que viva muitos anos".
O retorno do Boi do Cú Pelado em 2026 é para ser celebrado por todos, pois representa o reencontro de Atalaia com uma parte importante de sua identidade cultural.


















