
No dia 20 de novembro de 1928, nascia no município de Atalaia, Dagmar Tenório Cunha, filha do industrial Abílio Leão da Cunha e da senhora Pretestata Tenório de Albuquerque Lins, a Dona Yayá.
Seu pai foi proprietário da Usina São José e político de destaque em Atalaia na década de 1930, exercendo os cargos de vereador e prefeito. Por parte de mãe, era neta do Coronel João Evangelista da Costa Tenório, que foi intendente de Atalaia, e sobrinha do Major Zé Tenório, ex-prefeito de Atalaia por dois mandatos.
Estudou em sua terra natal e no Colégio Batista Alagoano, em Maceió. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1954.
Em 18 de maio de 1955, casou-se em Maceió com o médico clínico-geral Dr. Geraldo Cavalcante Cajueiro, com quem teve sete filhos: o ex-vice-prefeito de Arapiraca, Geraldo Cajueiro Filho; Túlio José Cunha Cajueiro; Martha Rúbia Cunha Cajueiro; Lúcia Rafaela Cajueiro Teófilo; Marcos Antônio Cunha Cajueiro; Flávia Maysa Cunha Cajueiro; e Lucielle Karla Cunha Cajueiro.
Era sogra do ex-prefeito de Arapiraca e ex-secretário de Estado, Rogério Teófilo (já falecido), que foi casado com sua filha, a médica Dra. Lúcia Rafaela Cajueiro Teófilo.
Com o casamento, incorporou o sobrenome do esposo, passando a se chamar Dagmar Cunha Cajueiro.
Logo após o casamento, em 1955, fixou residência em Arapiraca, tornando-se, ao lado do marido, pioneira no exercício da Medicina no município. Foi a primeira médica ginecologista e obstetra da cidade. Dra. Dagmar e o Dr. Geraldo deixaram uma bela e longa história de contribuição para a saúde arapiraquense.
“Depois de formada, eu vim trabalhar em Arapiraca e exercer a minha profissão com amor e dedicação”, destacou a médica atalaiense em homenagem prestada pela Prefeitura de Arapiraca no dia 18 de outubro de 2018, em alusão ao Dia do Médico.
No início, atendia em uma pequena clínica na Avenida Rio Branco, onde realizava consultas e pequenas cirurgias. “Foram muitos os problemas enfrentados pela médica, pois Arapiraca não tinha nenhuma casa de saúde, apenas postos. Ela saía pelos sítios, onde fazia muitos partos”, relataram Eli Mário Magalhães e Manoel Lira no artigo Pioneirismo na saúde foi a partir dos anos 50, publicado no Jornal de Arapiraca (Ano V, nº 158).
Naquela década de 1950, havia grande carência de médicos na região, e Arapiraca contava apenas com quatro: Dra. Dagmar, Dr. Geraldo, Dr. Edler e Dr. Marques da Silva, que davam assistência a toda a comunidade.
Anos mais tarde, juntamente com seu esposo, fundou a primeira Casa de Saúde de Arapiraca. Ambos se dedicaram à Medicina de corpo e alma, deixando um grande legado para as novas gerações. O Dr. Geraldo Cavalcante Cajueiro faleceu em setembro de 2013.
Após encerrar sua vida como obstetra, a médica atalaiense passou a trabalhar no 5º Centro da Secretaria de Saúde de Arapiraca e, na primeira gestão da prefeita Célia Rocha, em 1997, passou a atuar na Junta Médica da Secretaria de Administração. Encerrou suas atividades médicas em 2000.
Para o jornalista Ismael Pereira, em matéria publicada no site Cada Minuto, a Dra. Dagmar Cajueiro cumpriu com ternura a missão confiada pelo Criador.
“É verdade, a vida passa, mas as boas ações praticadas permanecem vivas na memória do povo. A doutora Dagmar Cajueiro Cunha, no mister da atividade médica que abraçou, salvou muitas vidas, aplacou muitas dores e fez muita caridade através de seu coração generoso. Criatura abençoada por Deus, cumpriu na terra, com ternura, a missão confiada pelo Criador. Seus nobres e relevantes serviços prestados na área da saúde serão eternamente lembrados pela sociedade arapiraquense”, nos conta o jornalista.
A dedicação à Medicina, que viveu ao lado do esposo, foi transmitida aos filhos: Dra. Lúcia Rafaela Teófilo, Dr. Geraldo Cajueiro Filho e Dr. Túlio Cajueiro, considerado um dos melhores oftalmologistas de Alagoas.
“Em sua trajetória de vida, doou-se ao cuidado das mulheres de Arapiraca por 62 anos com muito amor e carinho, deixando um belíssimo legado na história de nossa amada cidade”, destacou seu neto, o advogado Raphael Cajueiro.
Personalidade muito querida na capital do Agreste, a Dra. Dagmar Cunha Cajueiro faleceu na madrugada do dia 22 de maio de 2024, aos 95 anos, no Hospital Chama, em Arapiraca, após uma série de complicações de saúde que se agravaram no decorrer daquele último mês.









