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Laudo dos EUA relaciona mortes de cavalos em Alagoas a toxina em ração

Haras de Atalaia perdeu 84 animais da raça Manga-larga Marchador em 2025 e teve prejuízo milionário

Phablo Monteiro
Por: Phablo Monteiro Fonte: Gazeta de Alagoas / Mariane Rodrigues
14/02/2026 às 11h39
Laudo dos EUA relaciona mortes de cavalos em Alagoas a toxina em ração
Animais mortos passaram por intenso processo de sofrimento.

Um novo laudo constatou a relação direta entre as mortes de 84 equinos da raça Mangalarga Marchador do Haras Nova Alcateia, localizado no povoado Ouricuri, zona rural de Atalaia, e as intoxicações causadas por substâncias letais encontradas em lotes de ração produzidos pela empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda. O documento, elaborado pelo laboratório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, foi finalizado no início de fevereiro deste ano.

Os animais morreram, em sua maioria, entre maio e agosto de 2025, na maior onda de óbitos causados por intoxicação em equinos já registrada em todo o Brasil. Na primeira semana de julho do ano passado, quando Alagoas contabilizava 65 mortes de equinos, o estado figurava entre as situações mais graves, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), atrás apenas de São Paulo, que naquele período tinha 83 casos, e do Rio de Janeiro, com 69.

No fim de julho, o Mapa confirmava a morte de 284 equinos em todo o país após o consumo de ração e mantinha a suspensão total dos produtos fabricados pela Nutratta Nutrição Animal.

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O Haras Nova Alcateia contabiliza prejuízo financeiro estimado em algumas dezenas de milhões. Deste total estão incluídos, além dos valores de mercado dos animais mortos, os lucros cessantes dos seus produtos que deixarão de ser comercializados, como coberturas dos reprodutores e embriões, óvulos e crias das matrizes e doadoras. Para se ter uma ideia do montante dos prejuízos causados pela contaminação decorrente da ingestão da ração da Nutratta, somente pela morte de dois dos animais campeões nacionais mais valorizados e bem avaliados do Brasil, Quantum de Alcateia e Thayla de Alcateia, o prejuízo financeiro, segundo laudos de avaliação apresentados por profissionais do mercado, foi de R$ 30 milhões.

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“Isso abalou seriamente o comércio dos animais do Haras, pois duas gerações de animais foram perdidas”, afirma David Ferreira da Guia, advogado que representa a fazenda em um processo ajuizado contra a empresa Nutratta.

Eles buscam o ressarcimento desses valores. “Só para ter uma ideia do tamanho da imagem do Haras Nova Alcateia no cenário brasileiro de criadores da raça Mangalarga Marchador, na exposição nacional de 2024 ocorrida em Belo Horizonte, cerca de 60% dos animais que obtiveram as melhores premiações do evento eram originários do Haras Nova Alcateia ou derivados de seus produtos”, explica o advogado.

Popularmente, os cavalos Mangalarga Marchador são conhecidos por pertencer a uma raça forte, com longevidade, de fácil manejo e resistente a longas distâncias, além de diferentes climas e terrenos — características que os tornam valorizados no setor da equinocultura mundial.

“São cavalos muito utilizados em exposições e para evolução genética, além de serem excelentes para esportes e trabalhos no campo. Certamente a melhor raça disponível no Brasil e uma das mais difundidas no mundo. Por isso são animais bem avaliados e muito valorizados, alcançando preços recordes em leilões e comercializações diretas entre criadores, tudo isso fruto de um sério trabalho de evolução genética da raça e resultado de muito investimento no aperfeiçoamento de seus reprodutores e fêmeas doadoras de embriões”, ressalta o advogado.

Cenas registradas no Haras Nova Alcateia impactam pelo drama enfrentado pelos animais. As imagens mostram cavalos em condição de agonia, com paralisação e contorções dos membros. A maioria não consegue se levantar. A situação de um deles, de pequeno porte, é tão crítica que ele fica pendurado em uma cerca de madeira, sendo necessária a ajuda de profissionais para retirá-lo da estrutura.

Já um animal de maior porte agoniza, ofegante e apresentando tremores nos membros dianteiras. Em outra imagem, uma potra se debate em meio à dor e bate a cabeça diversas vezes contra a parede.

Com as 84 mortes registradas, o haras encaminhou cinco amostras dos lotes de ração da empresa Nutratta ao Poisonous Plant Research Laboratory — laboratório de pesquisa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, localizado no estado de Utah.

As amostras foram coletadas entre os dias 5 e 6 de junho de 2025, e o envio foi realizado em agosto do ano passado. Com as análises, os produtores buscavam confirmar a presença de substâncias nocivas aos animais e determinar a proporção de toxicidade existente nas rações.

Confira a matéria completa na GAZETA DE ALAGOAS - CLIQUE AQUI

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