
Moradores do Acampamento Marielle Franco, na zona rural de Atalaia, passaram a contar com uma solução sustentável e definitiva para o saneamento básico com a conclusão do projeto "Oficina de Construção de Fossa Ecológica". A iniciativa não apenas instalou a tecnologia no local, mas capacitou 20 membros do Coletivo de Agentes Populares de Saúde do Campo (APSC) para replicar a técnica em outros assentamentos.
O projeto foi realizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil em Alagoas (IAB/AL), com apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST/AL) e participação direta da comunidade. A fossa ecológica é uma tecnologia social que trata os resíduos de forma a não contaminar o lençol freático, protegendo a fonte de água da comunidade e produzindo adubo seguro para a agricultura.
Para o arquiteto e urbanista Pablo Fernandes, presidente do IAB/AL, o projeto vai além da infraestrutura. "Precisamos quebrar paradigmas na cultura construtiva rural e até mesmo urbana. Muitas vezes, o saneamento é paliativo e contaminante. Com a fossa ecológica, transformamos um problema ambiental em uma solução que protege a água e ainda gera alimento saudável para as famílias", explica Fernandes.
Cícero Lima, coordenador do acampamento, reforça a importância da ação para a luta do MST. "Este projeto é um exemplo concreto do nosso compromisso com a vida digna no campo e com a produção de alimentos saudáveis. É fundamental que iniciativas como essa, que buscam soluções reais para o saneamento básico, se multipliquem por todo o país", afirma Lima.
A equipe técnica do projeto foi composta pelos arquitetos e urbanistas Pablo Fernandes e Nichole Dellabianca, e pelo engenheiro agrônomo Geraldo Lopes.
Financiamento
O projeto foi viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC). Em Alagoas, a operacionalização é feita pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult).




