História Despedidas

Artigo | Estão se despedindo da vida velhos atalaienses. Por: Professor Ezio Lima.

Artigo publicado pelo querido amigo Professor Ezio Lima do Nascimento.

25/12/2020 12h17 Atualizada há 4 meses
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Por: Phablo Monteiro
Foto antiga do centro de Atalaia.
Foto antiga do centro de Atalaia.

Surpreendido pela despedida da vida de mais uma atalaiense, a amiga Dalva do Gercino, de velhos carnavais, nosso pensamento ganhou mais um título!

Não sei bem como ou porque, percorri várias páginas de minhas lembranças, lendo, aleatoriamente alguns relatos de vida de amigos da nossa vetusta Atalaia, terra dos Verdes Canaviais.

Confesso que quase perdi a hora, confirmando que "recordar é viver".

Encontrei referência aos nomes de amigos e amigas garimpados ao longo de minha vida na minha terra por adoção. Não contive minhas emoções! A propósito de tudo procurei redigir um texto tirado do alfarrábio de minhas velhas lembranças, mas sempre atual, que se intitulava "Estão se despedindo da vida velhos atalaienses", onde conclui: é o último e comovido tributo que podemos render aos nossos velhos amigos atalaienses, agarrando-nos a essas queridas sombras pela lembrança, impedindo pela memória que o esquecimento os condene a morrer de novo.

Por toda a Atalaia, diz o velho texto, os velhos atalaienses vêm cerrando eternamente as pálpebras, ano após ano. Com suas vivencias diárias esperando sua vez, sentados nos bancos dos jardins, tomando um pouco de sol, e o Grande Arquiteto Do Universo os vai levando, um a um... Velhos amigos e amigas, da minha primeira geração vivida na terra dos verdes canaviais, desapareceram há algum tempo..

Permito-me o direito de não nominar esses amigos, com o receio da omissão para poder guardá-los carinhosamente em minhas memórias. São muitos e muitas, o que faz toda diferença em um país conhecido pelo particularismo.

Sem exceção, alguns antigos (teimosos) que conheci na Atalaia de minha passagem ali, subsistem até hoje e são merecedores da admiração e do respeito dos atuais e novos, Afastei-me de Atalaia há algum tempo, mas praticamente quase nada desapareceu do meu tempo de vivente. Vão cerrando as pálpebras alguns velhos amigos. Quase todos já partiram. Ficaram poucos e, antes que esses se apaguem, é preciso recolher lhes a memória.

É o que deveria fazer os amantes da cultura e da história de Atalaia, ou a quem de direito, que se esforçando por meio dos depoimentos, da história oral, da pesquisa de fotos amarelecidas e velhas histórias dar visibilidade à memória pulverizada de seus descendentes, capaz de surpreender, de revelar a beleza do cotidiano de nossos antepassados, quando Atalaia não passava de uma cidadezinha de nosso interior.

Não faria mal a Atalaia uma pitada multicultural que colocasse em evidência a riqueza e diversidade de origens e contribuições das mulheres e homens que a construíram. Deixaram, não obstante, suas marcas inconfundíveis, guardaram um resto de identidade no meio do anonimato. Num dia como hoje, continuo a recordar, isto é, a reviver no coração a imagem dos velhos ancestrais que nos deixaram, lutando contra a morte com a recusa do esquecimento. A memória é nossa única arma para inverter o sentido do processo natural e dar vida a nossos amigos, aos que ainda recordavam o perfume dos frutos natais e falavam os estranhos dialetos do coração que aprendemos. É o último e comovido tributo que podemos render aos nossos velhos atalaienses, agarrando-nos a essas queridas sombras pela lembrança, impedindo pela memória que o esquecimento os condene a morrer de novo.

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