
A Assembleia Legislativa aprovou, em primeira votação nesta terça-feira, 26, o projeto de lei ordinária nº 1842/2025, de autoria do deputado Francisco Tenório (MDB), que reconhece o antigo Mocambo de Osenga como Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de Alagoas. Osenga era uma das unidades de base que formavam o grande Quilombo dos Palmares.
Considerado símbolo da resistência quilombola no interior alagoano, o local situado no município de Chã Preta, antigamente era parte do território primitivo de Atalaia e foi um importante reduto de negros palmarinos no século XVII. O território de Chã Preta, que conquistou sua autonomia em 1962, em 1831 foi separado de Atalaia para integrar o território da Vila Nova da Assembleia, atual Viçosa.
O Mocambo ocupava uma área entre os ribeiros Paraibinha e Jundiá, em uma região que atualmente integra uma propriedade rural. O projeto também institui o dia 20 de março como data oficial de celebração da memória dos povos negros do antigo Mocambo de Osenga. A data faz referência ao relato do capitão holandês Johan Blaer, que registrou a descoberta do mocambo em 20 de março de 1645, durante expedição rumo à Serra da Barriga. Estudos de pesquisadores como Edison Carneiro e Alfredo Loureiro de Barros Brandão também são citados na justificativa da proposta.
Segundo o deputado Francisco Tenório, a iniciativa busca preservar a memória e reforçar a importância histórica da comunidade quilombola para a formação de Chã Preta e de Alagoas. “Não é demais registrar que Chã Preta nasceu a partir do Mocambo de Osenga, em 1640, símbolo da resistência e da formação do nosso povo”, afirmou o parlamentar.
O mocambo era liderado por um chefe negro de mesmo nome, Osenga, que exerceu seu domínio sobre a região por décadas, consolidando-se como uma liderança fundamental na resistência contra a escravidão no Nordeste colonial.
Na obra “Mocambo de Osenga: um reinado africano em Chã Preta no século XVII”, o escritor chã-pretense Olegário Venceslau aborda o surgimento deste mocambo na primeira metade do século XVII, o modo de vida dos escravos que ali habitavam, seus costumes, sua etnia, religiosidade e resistência as invasões por várias décadas.

Cartografia desenhada em 1947 pelo etnólogo baiano Edson Carneiro mostra complexidade dos quilombos e comprova que Palmares não era um núcleo isolado (Imagem: Divulgação)



