
Nesta sexta-feira (11), como parte da programação dos seminários realizados durante 25ª Feira da Reforma Agrária em Alagoas, que acontece em Maceió, foi promovido um debate sobre os desafios da luta pela terra.
O encontro ocorreu no Auditório dos Urbanitários, localizado na ladeira da Praça dos Martírios, e trouxe reflexões e posicionamentos dos movimentos populares frente à forte concentração de terras no estado, além do olhar jurídico sobre o tema.
Entre os que fizeram parte da mesa estava a integrante da coordenação nacional do MST e assentada da Reforma Agrária em Atalaia (AL), Margarida da Silva. Também integraram a mesa o professor da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) e pesquisador de estudos rurais Paulo Cândido e o advogado e também professor da Uneal Inaldo Valões.
Margarida da Silva, conhecida como Magal, refletiu que não basta ocupar, é necessário criar o assentamento e garantir condições de desenvolvimento das famílias. Segundo a dirigente, dar continuidade ao processo de disputa é enfrentar o modelo predador do capital, que busca destruir tudo o que não se adapta à sua monocultura.
“Tudo isso passa pelo desafio da terra em Alagoas, não apenas o enfrentamento ao latifúndio diretamente. A luta pela terra está direcionada para o reconhecimento dos inimigos de classe. O avanço da luta pela terra também avança a criminalização. Não dá pra falar da questão agrária em Alagoas e no Brasil sem falar da criminalização, perseguição e violência. Muitos militantes foram assassinados por fazer o enfrentamento direto contra a propriedade privada, contra os latifundiários. Em sua maioria, quem detém o poder da terra detém o poder político, econômico e judicial”, comentou Magal.
Margarida seguiu apontando reflexões sobre os desafios da luta pela terra e sua relação direta com o enfrentamento direto da propriedade. “Essa é a gênese do MST, pela necessidade real das pessoas”.
O debate pontuou a necessária luta pelos direitos essenciais da vida digna nas comunidades rurais, destacando a bandeira da Reforma Agrária como necessária para o desenvolvimento do estado, que em especial é dominado pelo coronelismo das oligarquias que usam do medo e da violência sobre os povos que ainda resistem para conservar sua dominação.


