
Introdução
Durante quatro anos, um trabalhador foi chamado de “vermelho”, “chupa-cabra” e “xá de mula” por causa de seu cabelo e barba ruivos. As ofensas, feitas no ambiente de trabalho, se repetiam com frequência. Mais do que apelidos infelizes, eram agressões disfarçadas de piada.
Esse caso foi levado à Justiça. O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, em Minas Gerais, reconheceu que houve assédio moral e determinou o pagamento de R$ 3 mil a título de indenização por danos morais. Mais do que o valor, o que se firmou foi um recado claro: “brincadeiras” que machucam não são toleradas no ambiente profissional.
A aparência como alvo
Não é só com ruivos. Pessoas gordas, negras, trans, com vitiligo, albinismo, cicatrizes, acne ou qualquer característica física fora do “padrão” imposto pela sociedade, sabem o que é viver sendo alvo. O olhar do outro vira julgamento. A diferença, motivo de exclusão.
No ambiente de trabalho, esse tipo de agressão tem efeitos ainda mais graves. É lá que muitas pessoas constroem sua autoestima, seu sustento e seu senso de pertencimento. Quando o espaço profissional se torna um campo de ataque à aparência do outro, a dignidade deixa de existir.
A omissão também dói — e custa caro
No caso do trabalhador ruivo, o que mais pesou foi a omissão da empresa. Mesmo sabendo das ofensas, nada foi feito para impedir ou corrigir o comportamento dos colegas. Esse silêncio institucional é grave. Pela lei, a empresa tem a obrigação de proteger seus funcionários contra situações constrangedoras e abusivas.
Quando ignora, se torna responsável. E não só moralmente. A responsabilização civil do empregador, prevista no Código Civil e reforçada pela jurisprudência trabalhista, deixa claro que o respeito no ambiente de trabalho é um dever — não um favor.
Assédio disfarçado de humor
“É só uma piada.” Quantas vezes esse argumento já foi usado para justificar o injustificável? A repetição de ofensas, ainda que em tom de brincadeira, mina a saúde mental, isola e desvaloriza. A dor de ser ridicularizado por ser quem se é não pode ser banalizada.
No fundo, a questão é simples: ninguém deveria precisar esconder sua aparência para ser respeitado.
Conclusão
Este caso deixa uma lição valiosa: o respeito não pode ser seletivo. Ruivo, negro, gordo, trans, com deficiência, com marcas ou sem elas — todos merecem o mesmo tratamento digno. E o ambiente de trabalho deve ser um lugar onde a diversidade é acolhida, não combatida.
A “brincadeira” que fere é assédio. E assédio não se tolera, se combate.
Fonte da decisão
MIGALHAS. Empregado vítima de bullying por ser ruivo será indenizado. Publicado em 20 out. 2025. Disponível em: migalhas.com.br. Acesso em: 20 out. 2025.
