
O Instituto de Arquitetos do Brasil em Alagoas (IAB/AL), realiza entre os dias 11 e 13 de agosto a primeira etapa da “Oficina de Construção de Fossas Ecológicas” no Acampamento Marielle Franco - MST/AL, localizado na zona rural de Atalaia. O projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), e operacionalizado em Alagoas pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult).
A oficina busca oferecer soluções sustentáveis para o saneamento básico em comunidades rurais, combinando melhorias sanitárias, produção de alimentos e geração de renda.
Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) revelam que, em 2022, 35 milhões de brasileiros não tinham acesso à água tratada e 100 milhões viviam sem coleta de esgoto. Em Alagoas, estado com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, a carência de saneamento agrava desigualdades.
Pablo Fernandes, presidente do IAB/AL, falando sobre o impacto do saneamento na saúde e economia, ressalta estudos da USP que “a cada R$1,00 investido em saneamento, economiza-se até R$8,00 em medicina curativa", especialmente em áreas periféricas. A fossa ecológica, tecnologia social de baixo custo e alta eficiência, surge como alternativa viável para comunidades excluídas dos sistemas convencionais. "Queremos não apenas levar uma solução técnica, mas plantar uma semente de transformação social e ambiental", destaca Fernandes.
A oficina tem como foco a formação de agentes multiplicadores, membros do Coletivo de Agentes Populares de Saúde do Campo (APSC), que poderão replicar a técnica em outras comunidades rurais de Alagoas. O projeto incorpora princípios de economia circular (reutilizando pneus e entulhos) e segurança alimentar, além de fomentar novas fontes de renda para os participantes.
O que é a fossa verde?
Também conhecida como fossa verde, canteiro biosséptico, tanque ou bacia de evapotranspiração, a fossa ecológica é um sistema que associa a digestão anaeróbica (ausência de oxigênio) a um canteiro séptico que digere toda a matéria orgânica (fezes e urinas humanas) nas raízes das plantas, em conjunto com microrganismos aeróbicos (presença de oxigênio). A água é evaporada e também há transpiração das plantas, eliminando totalmente qualquer tipo de resíduo, além de produzir alimentos, como a banana.

