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Banda Manhattan de Atalaia

Ao longo de sua trajetória, a banda realizou um total de 613 shows.

03/05/2024 às 21h41 Atualizada em 11/05/2024 às 21h24
Por: Phablo Monteiro Fonte: Fotos: Divulgação
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Banda Manhattan em apresentação no Clube Social Atalaiense.
Banda Manhattan em apresentação no Clube Social Atalaiense.

Em meados da década de 80, um grupo composto por jovens amigos atalaienses subiu ao palco do Festival de Música Popular de Atalaia, organizado por Vandete Pacheco, para apresentar ao grande público a canção "O mundo pirou". O rock, que abordava temas da época, chegou a se classificar para a etapa final, porém não conquistou o primeiro lugar. 

A música de autoria do contrabaixista Eliatan Almeida, que se apresentou com uma banda formada por André Medeiros (bateria), Sérgio Bosa (guitarra), Elizafan Almeida e Marlon Rossy (teclado).

O sucesso obtido nessa apresentação plantou a semente que, em 1989, fez surgir uma das principais bandas musicais da história de Atalaia, a "Super Banda Manhattan". Em sua primeira formação, a Banda Manhattan contava com os seguintes integrantes: André Medeiros, Eliatan Almeida, Elizafan Almeida, Marlon Rossy, Sérgio Bosa, Vitor e Roger (China) Cunha.

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No início de sua trajetória, a banda marcou presença nos pequenos eventos da juventude de Atalaia, conhecidos como "assaltos", realizados principalmente nas residências das famílias atalaienses. Foram realizados 11 shows em 1989.

“Eliatan tinha um contrabaixo, o Marlon tinha um teclado, eu montei uma bateria improvisada e assim surgiu a Banda Manhatan, onde íamos tocar onde tinha uma festa”, destaca André Medeiros, que antes da Manhattan já tinha organizado duas bandas de curta duração, a Feijão de Corda e a Arco-Íris.   

“A Banda surgi logo como algo grande, por isso colocamos o nome de Super Banda Manhattan. O nome Manhattan foi sugerido pelo nosso saudoso amigo Elizafan, em homenagem a região mais famosa de Nova York. Ficamos preocupados na época se o pessoal ia saber pronunciar direito, mas o nome foi ficando e nunca mudou”, relembra André Medeiros.

 

Com o sucesso das apresentações locais, a banda recebeu reforços nos bastidores de Zé Humberto e Alexandre Medeiros, respectivamente pai e irmão de André. Neste período, foram adquiridos em Maceió novos instrumentos, incluindo uma guitarra, um contrabaixo, uma bateria e uma mesa de som.

Com essa nova estrutura instrumental, em outubro de 1989, após vários ensaios, a Banda Manhattan realizou sua primeira apresentação fora de Atalaia, em um baile realizado no espaço de shows do BNB Clube, em Maceió. Neste evento, a banda contou com Marlon Rossy no teclado, Eliatan Almeida no contrabaixo e voz, Vitor nos vocais, Elizafan e China Cunha na percussão, André Medeiros na bateria e Kátia como vocalista principal.

Em Atalaia, o primeiro show para um grande público aconteceu em 8 de outubro de 1989, durante um comício realizado em frente ao Clube Social Atalaiense, organizado pelo diretório estadual do Partido dos Trabalhadores para a campanha de Lula à presidência da República. Logo após, a banda se apresentou em um comício do candidato à presidência, Collor de Mello.

Já o primeiro baile em Atalaia, foi no Baile do Beijo, realizado no antigo Colégio Dr. João Carlos, em 28 de outubro de 1989.

“Nesses quatro primeiros shows toquei como baterista, logo após preferi passar para outro baterista e fui para a percussão, onde fiquei até o fim da banda”, comenta André Medeiros.

Um dos motivos que contribuíram para o sucesso da Banda Manhattan de Atalaia foi sua habilidade em transitar por diversos estilos musicais, incluindo rock, forró, axé, seresta, músicas internacionais, brega e lambada. Com um repertório versátil, a banda conseguia agradar a diferentes públicos, adaptando-se ao estilo musical apropriado para cada ocasião.

Durante o auge do período carnavalesco em Atalaia, na década de 90, a Banda Manhattan conquistou uma grande identificação com seus shows que animavam os foliões na Quadra Raimundo Nonato. Em 1990, a banda foi a atração musical do Carnaval do Mercado, popularmente conhecido como Farinheiro, marcando o início de uma trajetória de 10 anos animando os carnavais atalaienses.

“A nossa identificação com o Carnaval de Atalaia veio um pouco antes, nas festas de Carnaval do Mercado, conhecido como o “Farinheiro”. Teve um ano que tocamos na Quadra os três horários. É grande nossa identificação com o Carnaval de Atalaia, pois eram ótimos carnavais, onde nossa cidade era sucesso de público”, relembra André Medeiros.

Após o Carnaval, a agenda da Manhattan continuava repleta de shows e bailes em Atalaia, Maceió, outras cidades alagoanas e até mesmo em cidades de Pernambuco e Sergipe. A banda já contava com seu próprio ônibus, instrumentos musicais modernos, equipamentos de som e iluminação, proporcionando uma excelente estrutura para enfrentar até cinco horas seguidas de shows.

O primeiro show fora das fronteiras alagoanas ocorreu em Pernambuco, na cidade de Canhotinho, em 19 de dezembro de 1992, durante um Baile de Formatura. Além disso, a banda se apresentou em diversas outras cidades pernambucanas, como São Bento do Una, Calçado, Toritama, Jucatí, Barra de Guabiraba e Tacaritinga do Norte, esta última na divisa com a Paraíba, além de Vitória de Santo Antão.

Em Sergipe, a banda atalaiense também teve oportunidade de tocar em Nossa Senhora da Glória e Neópolis. 

“Com o sucesso das nossas apresentações na região, passamos a contar com o apoio de empresários que passaram a vender nossos shows em várias cidades de Alagoas e até fora do estado”, ressalta André.

Em diversas ocasiões, a banda teve a oportunidade de realizar a abertura de shows de artistas renomados do Nordeste, como José Orlando, Adelino Nascimento, Kátia de Tróia, Kakau Góis, Zinho, Júnior Bahia, entre outros.

Em Atalaia, a Manhattan sempre pôde contar com o apoio dos atalaienses, que lotavam os bailes e shows para prestigiar as apresentações da banda, especialmente durante o Carnaval.

Para André Medeiros, a Banda Manhattan teve uma grande importância cultural para a Atalaia da década de 90. “Criamos essa identificação com nossa cidade, até porque, quando íamos tocar nas outras cidades, nos apresentavam como Banda Manhattan de Atalaia. Quer dizer, levava o nome de Atalaia, divulgando nossa cidade”.

André lembra também do incentivo que a banda recebia de seu tio, o Cacau Medeiros, que foi integrante das bandas Os Originais e do Pop Samba. “Por ele ser muito ligado a música, sempre incentiva nossa banda e fazia questão de contar com a participação da Manhattan nos shows que ele realizava no Canteiros Clubes, no Clube Social Atalaiense e no Cisne Branco. Também viajava com a banda”.

O sucesso alcançado durante a década de 90 levou a Manhattan a rivalizar com outras bandas alagoanas de renome, como as Bandas Luz, Trevo e Saraiva. "Estávamos entre as cinco melhores bandas de Alagoas", destaca André.

Um dos fundadores da Manhattan, o atalaiense Marlon Rossy, que anos mais tarde seria reconhecido em um famoso programa de TV de alcance nacional como o maior imitador do Brasil, deixou de integrar a banda no início dos anos 90, mas retornou em 1994, participando de 103 shows naquele ano.

Outro integrante da formação original que alcançou grande sucesso foi o contrabaixista Eliatan Almeida. Interpretando a música "Terra Ferida", de autoria de Luiz Carlos Florentino, ele participou do Festival Canta Nordeste em 1993 e até gravou um LP.

O talentoso percussionista atalaiense, China Cunha, continua brilhando em sua carreira musical. Ele faz parte da banda do Programa Altas Horas, da Rede Globo, apresentado por Sérgio Groisman.

Juninho Maceió também fez parte da Manhattan. Ele foi saxofonista do Harmonia do Samba, Jamil, Ivete Sangalo, e outras bandas de grande sucesso nacional.

Após sua formação original, contou com várias outras formações, contando com músicos que ajudaram a consolidar o sucesso da Manhattan na década de 90. Podemos citar o casal Romero e Mauricéia (Boca da Mata), Edmar (São José da Laje), Pupila Pop (Rio Grande do Norte), Marcelo Bess (Viçosa), Flávio Leão, Roberto Leão, Sérgio (São Miguel), Fátima (São Miguel), Eduardo (Maceió), Dinho, Marcos, Júnior, Luciano (Satuba), Carlos Bem (Barrão) e Anderson Ricardo.

Foram 11 anos de Banda Manhattan. Sua última apresentação ocorreu em grande estilo, durante o Carnaval de 1999, na Quadra Raimundo Nonato, diante de uma multidão de foliões.

“Com o passar dos anos a banda foi se enfraquecendo e não conseguia competir com bandas de forró que se fortaleciam a cada ano. As bandas de menor porte foram ficando cada vez mais para trás e sem espaço no mercado local e a oportunidade de realizar shows vinha diminuindo. Acredito que tenha sido isso”, lembra André Medeiros.

Após o término da banda, surgiram muitos convites para que ela voltasse a se apresentar, porém, André nos conta que, juntamente com seu irmão Alexandre, optaram por não reativar a Manhattan. "A Manhattan já havia percorrido sua trajetória e deixado sua marca em uma época importante, sendo lembrada até os dias de hoje".

Ao longo de sua trajetória, a banda realizou um total de 613 shows. Além de Atalaia, as cidades em que a banda mais se apresentou foram Maceió (50 shows), Boca da Mata e Murici. 

“Uma banda que fez parte da minha vida e não me arrependo de toda dedicação que tive por ela. Se pudesse voltar ao tempo, faria tudo de novo. Me possibilitou conhecer grande parte de Alagoas, tocando e animando grandes shows. A vida de música é sofrida, mas fizemos um trabalho profissional e que valeu muito a pena”, encerra André Medeiros.

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