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Antônio Braz dos Santos

Comerciante e agropecuarista, foi vice-prefeito de Atalaia nos primeiros anos da década de 70.

09/03/2024 às 18h06 Atualizada em 22/03/2024 às 12h11
Por: Phablo Monteiro Fonte: Fotos: Arquivo Familiar
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Antônio Braz dos Santos.
Antônio Braz dos Santos.

Antônio Braz dos Santos nasceu em 3 de abril de 1920, no Povoado Sapucaia, zona rural do município de Atalaia. Filho primogênito de Lúcio Guimarães dos Santos e de Josefa Guilhermina dos Santos.

Como filho mais velho, após a morte de seu genitor, o jovem Antônio Braz, ainda um adolescente, precisou enfrentar as duras condições do trabalho no corte de cana de açúcar nas Fazendas da antiga Usina Brasileira, para ajudar sua mãe no sustento da casa e no sustento de seus seis irmãos menores. Alguns anos depois, passou a trabalhar como estivador do cais do Porto de Maceió.    

Em 1944, casou-se em cerimônia religiosa com a atalaiense Elza Maria dos Santos, também do Povoado Sapucaia, nascida em 26 de dezembro de 1925, filha de Alcides Pedro da Silva e Maria Matildes dos Santos.

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Desse matrimônio, nasceram vivos dez filhos: Ailton Braz dos Santos (primogênito), Amilton Braz dos Santos, Eloína Maria Braz dos Santos, Edleusa Maria Braz dos Santos Melo, Eliene Maria Braz dos Santos, Vera Lúcia Maria dos Santos, Alcides Braz dos Santos, Cícero Antônio Braz dos Santos, Agenor Braz dos Santos e a caçula Zélia Maria Braz dos Santos.

Em 26 de agosto de 1953, ambos celebraram sua união em um casamento civil.

Com o término da construção do Porto de Maceió, Antônio Braz dos Santos passou a exercer um pequeno comércio em sua terra natal, no Povoado Sapucaia, em cuja atividade teve sucesso, o que possibilitou que expandisse seu estabelecimento para a cidade de Atalaia, onde tempos depois, passou a residir com toda sua família. 

A cada ano seu comércio local crescia mais e Antônio Braz se tornava um grande comerciante em Atalaia. “Sua “venda” tinha de tudo, desde gêneros alimentícios em geral, à utensílios domésticos, aparelhos elétricos (geladeira, ferro de passar, rádio, fios, tomadas, entre outras), até vestimentas masculinas, roupas íntimas masculinas e femininas, louças, bijuterias”, nos conta sua filha Eloína Braz. 

Foi o precursor da modalidade supermercado em Atalaia, com vários caixas funcionando diariamente em sua “venda” e onde os clientes faziam suas próprias compras, usando carrinhos de propriedade do estabelecimento comercial e, levando-os ao caixa para os devidos pagamentos.

Vizinho e amigo pessoal do prefeito José Lopes Duarte, o popular Zeca Lopes, com ele passou a frequentar a Maçonaria na Loja Virtude e Bondade de Maceió.

Por ser homem de conduta exemplar e muito conhecido da população, no ano de 1969, com a aproximação das eleições municipais, foi convidado pelo então prefeito Zeca Lopes, por Divaldo Suruagy e por Guilherme Palmeira, para lançar seu nome como candidato a prefeito de Atalaia, tendo como candidato a vice-prefeito o vereador Luiz de Albuquerque Pontes, o popular Luiz Vigário, grande fazendeiro no município de Atalaia. Mas, Antônio Braz recusou o convite, argumentando aos seus amigos que não tinha estudo suficiente para o exercício do cargo.    

Depois de muita insistência da classe política, aceitou ser candidato a vice-prefeito, passando Luiz Vigário a ser o candidato a prefeito de Atalaia. Ganharam as eleições realizadas em 30 de novembro daquele ano, tomando posse em 1º de fevereiro de 1970, em solenidade realizada no edifício do Centro Cultural Prefeito José Lopes Duarte, para o mandato de fevereiro 1970 a janeiro 1973. 

Ao longo de sua vida, sempre foi eleitor fiel de Zeca Lopes, de Divaldo Suruagy e de Guilherme Palmeira.

Já como um vitorioso comerciante, Antônio Braz buscou diversificar suas atividades econômicas, passando a cultivar cana de açúcar em terras que possuía no município. Tornou-se agropecuarista bem sucedido, sendo associado da Associação dos Plantadores de Cana de Açucar de Alagoas (ASPLANA) e da Cooperativa dos Plantadores de Cana de Alagoas.

“Foi um cidadão muito respeitado e querido dos atalaienses e pelos que o procuravam por estarem em situação de desemprego. A esses, fornecia feiras semanais, cujos valores eram anotados nos cadernos de balcão, com a promessa de que as contas seriam pagas quando estivessem empregados. Como amor e comovido pelas histórias que lhe eram contadas por seus “devedores”, seu Braz, como era conhecido, simplesmente rasgava a folha do caderno onde estava anotado o débito e dizia: “Olha, seu fulano, o senhor não me deve nada”. Toda sua vida, Antônio Braz dos Santos foi o pai dos pobres e necessitados”, lembra Eloína Braz.

Devoto do Santo Padre Cícero, que ele carinhosamente chamava de “Meu Padim Ciço Romão”, todos os anos, no mês de setembro, viajava para a cidade de Juazeiro, no Ceará, na peregrinação ao Padim Ciço, onde assistia missas e fazia visitas ao Horto e à cidade do Crato. Só voltava para casa, após a procissão. 

Até hoje, no teto da Catedral do Juazeiro, existe, entre muitas outras, uma estrela pintada a ouro, tendo no centro dela a inscrição “Família Antônio Braz dos Santos”, como reconhecimento por tudo e por tanto que ele ajudou na construção daquela Catedral.

“Foi um marido, um pai e um tio exemplar. Educou seus dez filhos e os dois sobrinhos que criou, dando-lhes uma educação de amor, respeito, religião, estudo e trabalho. Proporcionou a todos condições para os estudos nas Escolas Púbicas Estaduais de Atalaia, e, depois, de Maceió, até chegarem à Universidade Federal de Alagoas (UFAL)”., comenta Eloína.

Eloína Braz nos conta que seu pai sempre enfrentou todas as adversidades que atingiram a família sem blasfemar, sem ódio e sem perseguição. “Temente a Deus, sempre nos ensinou a importância do amor e do perdão. Muitas foram as lições, com os próprios exemplos, que ele deixou para os seus filhos, netos e bisnetos. Ele foi, é e será sempre motivo da nossa união e do nosso amor. Obrigado, papai por tudo”. 

O respeitado cidadão atalaiense Antônio Braz dos Santos, faleceu em 27 de maio de 1994, aos 74 anos de idade.

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