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História Homenagem

Edite Vieira Camelo de Moraes

Vereadora do município de Atalaia na década de 60.

02/11/2022 às 17h54 Atualizada em 25/11/2022 às 21h11
Por: Phablo Monteiro
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Edite Vieira Camelo de Moraes, ex-vereadora do município de Atalaia.
Edite Vieira Camelo de Moraes, ex-vereadora do município de Atalaia.

Filha do segundo matrimônio do senhor João Camelo da Costa Filho, o Major Moço, com a senhora Joanita Vieira, Edite Vieira Camelo de Moraes nasceu no município de Atalaia, em Alagoas, no dia 19 de outubro de 1932. Seu pai foi um grande proprietário rural, por um curto período foi vereador de Atalaia e é uma figura lendária da Cavalhada alagoana.

É sobrinha do ex-Intendente (prefeito) de Atalaia, o senhor Alfredo de Melo Camello, que governou Atalaia de 1919 a 1921.

Edite Camelo, a Ditinha, como era conhecida pelos mais próximos, residiu na Vila de Sapucaia, local que foi berço de sua família. Lá participou ativamente da vida cultural e religiosa. Na década de 50, esteve a frente do Bloco carnavalesco A CIGANINHA.

Major Moço foi o precursor da Cavalhada em terras atalaienses, passando essa tradição para filhos, neto e até bisneto atualmente. Incluindo sua filha Edite, que foi a primeira mulher alagoana a correr Cavalhada. 

Foi uma das atalaienses pioneiras na Câmara Municipal. Ao lado de Isa de Medeiros Costa, sendo a 2ª/3ª mulher a ser eleita vereadora, exercendo seu mandato de 1963 a 1966.

No Legislativo de Atalaia, foi uma voz muito ativa na defesa dos interesses da Sapucaia, onde sempre buscou o desenvolvimento daquela localidade.  

Adotou o sobrenome Moraes, após o casamento com o senhor Edmirson de Araújo Moraes, falecido em 2014. Desse matrimônio estão vivos os seguintes filhos: Eliene e Antônio Carlos.

Advogada, formada em Direito pelo Centro Universitário Cesmac. 

Residiu durante muitos anos no bairro Pitanguinha, em Maceió, inclusive sendo a responsável por confeccionar o estandarte do “Pitanguinha Vai à Lua”, tradicional bloco organizado pelos próprios moradores, que marcou os velhos carnavais da capital alagoana. Edite Camelo também era a responsável pelas marchinhas de carnaval, preparadas especialmente para o desfile do bloco carnavalesco do bairro.

Empresária, fundou em 11 de abril de 1995, a Escola de Datilografia Camelo de Moraes, também no bairro Pitanguinha, em Maceió.

Funcionária pública, Edite Vieira Camelo de Moraes era servidora aposentada do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas.

Continuou residindo em Maceió, junto com seu filho Antônio Carlos. Vitima de uma AVC em 2019, que infelizmente lhe fez perder os movimentos das perdas. 

Faleceu em Maceió no dia 4 de outubro de 2022, aos 89 anos de idade.  

No dia 7 de março de 2008, a ex-vereadora esteve no prédio da Câmara Municipal de Atalaia, onde por iniciativa do então presidente Fernando Vigário, foi uma das homenageadas em evento alusivo ao Dia Internacional da Mulher. Confira seu discurso na integra:

“Volto a esta terra, tão querida e grata para mim e parece que tudo está como antes. 

É verdade que o progresso é fato e existe por aqui. Vejo novas edificações, modernos empreendimentos e a força compulsiva dos que trabalham e tudo fazem para que permaneçamos sempre altaneiros, soberanos, esperançosos e vigilantes para a consecução de um futuro melhor. E o nosso lema é vigiar. Não é atoa que esta terra, orgulhosamente, se chama Atalaia.

É bem verdade, que a saga inglória de Domingos Jorge Velho, cumprindo ordens emanadas pela Coroa Portuguesa, dizimou os Quilombos e ceifou vidas dos que deram, no Brasil, o Primeiro Grito de Liberdade! Mesmo assim, arrasando os bravos guerreiros libertários, diante do sacrifício do Herói Zumbi, Domingos Jorge, logo depois, compreendeu que, até se pode matar os homens, porém, jamais se conseguirá fazer fenecer o ideal de ser livre. Atalaia foi berço dessa gloriosa epopeia e aqui permanecemos livres, sob as bênçãos de Nossa Senhora das Brotas, ontem aspergidas pelo sempre lembrado e saudoso Padre Aberlado Romeiro Pereira, hoje continuadas pela juventude e a dedicação do Reverendíssimo Padre José Arnaldo.

A homenagem que esta casa Legislativa presta-me, neste momento, serve-me de alento e conforto por me sentir lembrada e querida.

Fui uma das integrantes desta Câmara Municipal, nos duros anos da década de sessenta, quando a hipocrisia e a despeita dos maus, tentaram atingir a honorabilidade desta Casa das Leis, tive a coragem cívica e o fervor democrático de, pessoalmente, comparecer ao Quartel do 20º Batalhão de Caçadores, hoje 59º Batalhão de Infantaria Motorizado, para defender os meus pares, para salvaguardar a honra dos acusados injustamente, fazendo vê aos oficiais do Comando Revolucionários, que aqui trabalhávamos para o engrandecimento da Democracia, e, sobretudo, para que as leis fossem, efetivamente, cumpridas.

Minhas Senhoras e meus Senhores:

Ao tempo em que agradeço o preito de estima e apreço a mim, prestado pelos Senhores Vereadores, ás vésperas do Dia Internacional da Mulher, confesso-me feliz por estar aqui, viver essa emoção para mim tão efetivamente cara, sobretudo, por hoje por contar, tantos anos depois, o que me foi dado fazer pela nossa querida Atalaia.

Atalaia do meu querido Pai, o legendário Major Camelo. Atalaia de Suzana Craveiro Costa e do Prefeito Zeca Lopes. Atalaia da Professora Vandete – memorialista de seu povo e pesquisadora incansável! Atalaia de Platão Moraes e do Jornalista Walmir Calheiros. Atalaia do Prefeito Luiz Vigário e do Vereador José Correia. Atalaia das festas da Padroeira, do São João animado, dos pitus do Rio Paraíba e das moças bonitas que iam ao Baile das Rosas, em busca dos rapazes  galantes e das juras de amor.

Atalaia que nunca esqueci, que é uma presença viva e constante em minha vida. De quem me lembro todos os instantes, porque embora um pouco distante, jamais permiti que a saudade fosse morar em outro lugar.

Eu lhe saúdo Atalaia, nas pessoas dos Senhores Vereadores, que hoje me homenageiam. Eu lhe saúdo Atalaia, em nome de todos aqueles que trabalharam e trabalham em prol de seu desenvolvimento. Eu lhe saúdo, minha terra querida, em nome de todos quantos lhe amam e têm por você, pela sua gente, pelas suas tradições e pela sua grandeza, o mesmo amor que eu jamais haverei deixar de ter.

A Virgem Patrona e Mãe de Jesus, guarde o seu povo, o amor de Cristo Vivo, anime a sua juventude, o Divino Espírito Santo seja o eterno guia desta Casa das Leis e dessa gente tão generosa.

Que Deus nos abençoe sempre, Atalaia querida! Muito obrigado”.

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