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História

01/09/2018 às 15h05 - atualizada em 04/09/2018 às 09h57

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Phablo Monteiro

Atalaia / AL

Prefeito Professor Genário Cardoso de Farias
Prefeito de Atalaia de 1947 a 03 de janeiro de 1948
Prefeito Professor Genário Cardoso de Farias
Professor Genário Cardoso de Farias.

Filho dos atalaienses Antonio Cardoso de Farias e Tereza de Jesus de Farias Bittencourt, o Professor Genário Cardoso de Farias nasceu no dia 14 de outubro de 1906, em um dos engenhos da família, localizado na cidade de Rio Largo. Foi levado no mesmo dia para ser batizado em Atalaia. Nascer em Rio Largo talvez tenha sido um acidente do destino, já que ele era um atalaiense apaixonado por esta terra. 


Pertencente a uma das famílias mais tradicionais de Atalaia: a Farias Bittencourt. Era bisneto do primeiro Intendente (prefeito) do município, o Sr. Francisco Guilherme de Farias Bittencourt. Era primo de segundo grau por parte de mãe e pai, do ex-prefeito Joaquim Fortunato Bittencourt Filho. Também era parente dos ex-deputados federais por Alagoas, Alfredo de Maia e Emílio de Maia. Primo em primeiro grau por parte de pai, do ex-senador da República, Arnon Afonso de Farias Melo.


O Professor Genário foi uma figura humana admirada e benquista na sociedade atalaiense. No artigo PALAVRAS DE UM PROFESSOR, publicado no ano de 1998, no Jornal Folha Atalaiense, o advogado Getúlio Pereira Leite assim o descreve: “Uma das personalidades mais notáveis da história contemporânea de Atalaia, foi, indiscutivelmente, o Professor Genário Cardoso de Farias. Quem teve o privilégio de ter sido seu contemporâneo sabe que entre as qualidades impressionantes de sua personalidade, estava uma excelente capacidade de expressão. Um verdadeiro “espadachim” da língua portuguesa”.


“Estatura média, rosado, forte, usava óculos, invariavelmente vestia-se com elegância, terno completo e um lenço branco pendurado no bolso de cima do paletó; educado, autoditada, intelectual, orador, excelente pai de família; enfim, uma figura humana notável”, completa Getúlio Pereira Leite.


Casa-se em 20 de janeiro de 1929, com a senhora Maria da Costa Henriques, filha de um português dono de armazém. Uma mulher talentosa nas artes plásticas e também na musica, pois tocava piano com perfeição. Desse matrimônio nascem seis filhos, 05 meninas (Deusa, Dulcinéia, Maria Ancelet, Maria Antonieta e Maria Tereza) e 01 menino (Cardênio).


Em janeiro de 1936, passa a ter um contato mais próximo da política, ocupando a função de redator de ATA’s nesse momento de reabertura do Legislativo Municipal, que durou até 10 de novembro de 1937, com o inicio do Estado Novo. Neste período, presidia a Câmara, o seu primo Joaquim Fortunato Bittencourt Filho. Além do seu primo, Genário Cardoso convivia ali com pessoas da alta sociedade atalaiense, a exemplo dos senhores José Sabino de Oliveira Filho, José Ferreira Bastos, José Thomaz de Farias Costa, Antônio Cabral Toledo, Abílio Leão da Cunha, Luiz Tenório de Albuquerque Lins, entre outros.   


Por ser filho de senhor de Engenho e ter tido uma boa formação, era natural esse convívio com pessoas da alta sociedade, porém sempre foi uma pessoa simples.


Foi proprietário do colégio “Ateneu Atalaiense”, fundado por ele em 1950, localizado na Rua Floriano Peixoto, onde estudaram gerações de alunos não só de Atalaia, mas também de Capela e Viçosa, inclusive no regime de internato. Gostava de escrever poemas e ensinar as pessoas a ler e escrever.


Com o lançamento da coletânea sobre o coqueiro famoso, o Gogó da Ema, Genário Cardoso de Farias dedicou ao colega poeta Jucá Santos em 1952, o poema de sua autoria “Gogó da Ema”:


Ao Jucá Santos Li e reli o teu GOGÓ DA EMA Muito gostei! E sem bajulação, eu te afirmo, Jucá, de coração, se o título agradou, melhor o tema! Tortuoso GOGÓ, dádiva suprema, revestiste o Jucá de inspiração. E ele com a maior dedicação, transformou PONTA VERDE em um poema! Canta, poeta – a tua lira é moça! Não falta quem te aclame e quem te ouça... A mocidade é pródiga de encantos!   Canta também pela tristeza alheia... Porque, ao resplendor da lua cheia, GOGÓ DA EMA exaltará teus cantos! Genário Cardoso de Farias, Atalaia, 14 de outubro de 1952.


Também era fazendeiro e dono de engenho herdado da família.


Ainda em seu artigo, Getúlio Pereira Leite destaca que o Professor Genário era um metaforista de primeira linha: “Atalaia, terra de Domingos Jorge Velho que tanto amou e quis”. “Estas e tantas outras metáforas eram usadas com maestria pelo eminente professor”, destaca Getúlio. 


No ano de 1947 é indicado pelo então Governador eleito de Alagoas, Silvestre Péricles, para ocupar o cargo de prefeito de Atalaia, em substituição ao então prefeito José Lopes Duarte. Mas, preferia ser chamado de professor a prefeito.


Foi um curto período à frente do Executivo municipal, já que seu mandato durou até o dia 03 de janeiro de 1948. Mas, foi tempo suficiente para fazer uma administração especialmente voltada para a população pobre a quem dedicou permanentes programas sociais de governo. Era conhecido como pai dos pobres.


Nas eleições municipais de outubro de 1947, é eleito vereador do município de Atalaia. Exerce seu primeiro mandato neste Poder Legislativo de 1948 a 1951, ocupando a Presidência de 1948 a 1949, eleito pela unanimidade de seus pares.


“No limiar da década de 1950, havia em Atalaia, principalmente nas épocas de eleições, muitos comícios com a presença de destacadas autoridades e políticos ilustres. Conta-se que, por ocasião da visita do Governador Muniz Falcão a Atalaia, para um comício na Cidade Alta (Rua de Cima), o primeiro orador a fazer uso da palavra foi o saudoso vereador Milton da Costa e Silva, popularmente conhecido como Zí. O poder de oratória e retórica do vereador foi tão brilhante que o Governador Muniz Falcão ficou impressionado, ao ponto que indagou do prefeito de então, José Tenório, quem era aquele orador? Evidentemente não sabia o Governador que o Zí tinha uma capacidade imensa de decorar discursos preparados pelo professor Genário”, destaca em seu artigo o advogado Getúlio Leite, lembrando ainda que “Quando se tratava de uma solenidade oficial, que se exigia discurso lido, os políticos recorriam ao professor Genário para o feitio de seus trabalhos”, concluiu. 


Após o termino do seu primeiro mandato de vereador, foi convidado pelo prefeito eleito José Tenório de Albuquerque Lins (Major Zé Tenório) para ocupar o Cargo de secretário do Poder Executivo Municipal. Era homem forte do primeiro Governo do major Zé Tenório, ocupando essa função até o inicio do seu segundo mandato como vereador, em 1955.


Nesse período em que retorna as funções de vereador, era Governador do Estado, o seu primo Arnon de Mello. Genário Cardoso assumi a Vice-Presidência da Casa, tendo como Presidente o senhor Nestor Tenório de Oliveira. Sendo um dos parlamentares mais ativos, sempre em defesa do atual governo municipal, fez embates calorosos com o vereador Manuel de Medeiros Salgados, que fazia oposição ao Major Zé Tenório. Neste segundo mandato, foi responsável pelo Projeto de elaboração do Regimento Interno da Casa.


E, dez dias após subir à Tribuna da Câmara de Vereadores de Atalaia pela última vez, em 10 de setembro de 1956, durante seu segundo mandato de representante do povo atalaiense, faleceu na cidade de Maceió, o Professor Genário Cardoso de Farias. Viveu apenas 49 anos, mas deu tudo de si a Atalaia. “Partiu moço, aos 49 anos, para a eternidade, mas deixou muitas saudades e jamais será esquecido. Figura nos anais da história de Atalaia como um de seus mais ilustres filhos”, destaca Getúlio Pereira Leite.


Em 27 de setembro, a Câmara ainda enlutada por conta da grande perda repentina, retorna aos seus trabalhos. O Prefeito Dr. Luiz Augusto apresenta mensagem de Condolências "pelo infausto passamento do Professor Genário Cardoso de Farias, digníssimo vice-presidente desta Egrégia Casa". Usando da palavra, o vereador Milton da Costa e Silva requereu uma mensagem de Pesar pelo falecimento do saudoso vereador e em sua oração ressaltou as qualidades morais e intelectuais, querendo ao mesmo tempo que fosse feita uma comissão dos membros da Câmara para fazer uma visita a viúva e sua família. Homenagens póstumas foram enviadas pela Câmara de Capela e pela Assembleia Legislativa do Estado, todas lamentando o falecimento do ilustre e saudoso vereador. A Presidência, em consideração ao momento de tristeza, suspendeu a sessão e deu a mesma por encerrada.

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