Alagoas Solidariedade

MST ultrapassa 200 toneladas de alimentos doados em Alagoas durante a Pandemia

As ações de solidariedade do Movimento foram realizadas em todas as regiões do estado

14/05/2021 23h20
189
Por: Phablo Monteiro Fonte: Gustavo Marinho - Comunicação MST
Doação de alimentos em Maceió, no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora. Foto: Gustavo Marinho
Doação de alimentos em Maceió, no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora. Foto: Gustavo Marinho

“Este marco é grandioso não somente pelo número, mas em especial pela mensagem de esperança que as ações de solidariedade levaram para milhares de famílias alagoanas nesse período”, destaca Débora Nunes, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ao se referir às mais de 200 toneladas de alimentos doados em Alagoas.

As ações que ocorrem desde o início da Pandemia da Covid-19 dialogou com inúmeros bairros da periferia de Maceió, além dos diversos municípios de todas as regiões do estado. “Foram mais de 200 toneladas de comida sem veneno, produzida nos acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária de Alagoas que materializam o verdadeiro sentido da nossa luta: comida saudável na mesa de todos e de todas”, comentou Nunes.

De acordo com Débora, que integra o Setor de Produção, Cooperação e Meio Ambiente do MST, as ações realizadas em todo o país cumprem ainda o objetivo de apresentar para a sociedade o papel e a importância da luta pela Reforma Agrária no Brasil.

“Nosso país volta ao mapa da fome e, possivelmente, estamos vivendo um dos piores períodos para a vida do povo pobre”, comentou. “As ações realizadas pelo MST expressam com toda a diversidade de produtos doados nas periferias de Maceió e nos demais municípios do estado, a necessidade de defendermos a Reforma Agrária como estratégia direta no combate à fome e na defesa da vida do povo trabalhador do campo e da cidade”.

Segundo o levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através da Pesquisa de Orçamentos Familiares Contínua (POF), 8,5% da população de Alagoas vive em situação de insegurança alimentar grave, ou seja, sob falta de alimentos entre todos os moradores do domicílio, esse número equivale a 282 mil alagoanos. Os dados são referentes ao ano de 2018 e 2019.

O IBGE aponta ainda que 570 mil alagoanos vivem com menos de oito reais por dia, colocando o estado como segundo no ranking brasileiro dos lugares onde mais gente vive na extrema pobreza, que representa 17,2% dos habitantes do estado.

“Os índices certamente aumentaram com o agravamento da Pandemia no estado e, sem a efetivação das políticas públicas para garantir condições de vida digna para essa expressiva parcela da população, muitas das ações de solidariedade construídas pelos movimentos populares representam a possibilidade de sobrevivência em muitas casas”, explicou Débora.

De acordo com o Movimento, as atividades de solidariedade devem continuar no próximo período, estreitando cada vez mais a relação com as periferias nas cidades. “Queremos que cada vez mais a expressão da solidariedade dos camponeses e camponesas irradie a mensagem da necessidade de organização e de luta entre os trabalhadores e trabalhadoras das cidades”, finalizou.

Se o campo não planta, a cidade não janta

Um dos camponeses que têm desde o seu lote no assentamento fortalecido as iniciativas de solidariedade é o José Izídio, conhecido como Zé Baixinho, do Assentamento Filhos da Terra, em Alagoas.

Com orgulho ele conta da sua vida no campo e da satisfação em ver a produção do assentamento que vive indo combater a fome por todo o estado de Alagoas. “A cidade parou, mas o homem e a mulher no campo continuou na sua roça. Aqui temos de tudo para sobreviver e também para doar para quem vive nas cidades, passando fome e sofrendo. O governo parece não querer ver, mas o importante é que a gente possa se unir, sem abaixar a cabeça”, comentou.

Quitéria da Silva, assentada em Atalaia, no Assentamento Jaelson Melquíades, destacou também a importância das doações nas cidades com os frutos da Reforma Agrária.

“Nosso objetivo é trabalhar na terra, plantar e colher para acabar com a fome... Para doar para quem está nas cidades passando fome. Daqui do assentamento já doamos batata, macaxeira, feijão, milho, tudo que a terra dá a gente doa para quem também precisa”.   

Doações em todo o país

Em todo o Brasil, durante o período da Pandemia em 2020, o MST já realizou a doação de mais de 4 mil toneladas de alimentos, além de 20 mil máscaras de proteção e mais de 700 marmitas. Já em 2021, as ações já passam das 300 toneladas de alimentos em todas as regiões do país.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias