LIMITES ANTIGOS DE ATALAIA E SEU DESMEMBRAMENTO EM DUAS NOVAS VILAS  - Resgate Histórico e Cultural de Atalaia - Site AtalaiaPop.com
   

LIMITES ANTIGOS DE ATALAIA E SEU DESMEMBRAMENTO EM DUAS NOVAS VILAS

Em 3 de janeiro de 1827 foi fornecida a seguinte certidão:

“ Francisco Manoel de Araújo escrivão da Câmara e Órfãos, Almocataria e Sisas e mais anexos nesta vila e seu termo por S.M.I e que Deus guarde etc.

A todos senhores que o presente virem, Certifico que revendo o livro primeiro do Diretório deste Estabelecimento e criação desta Vila e seu termo, o qual se acha em meu Poder e Cartório, nele, às folhas noventa e um achei o que a petição retro do Suplicante faz menção, além das mais confrontações, consta; o qual o seu teor é da forma e maneira seguinte:

“ Virando para o sertão compreende toda extensão até a Serra da Palmeira que passa de 14 léguas de distancia, e pela dita fazenda de Poço de Veado seguindo para cima do rio Canhoto se vai atravessando com o Rumo de Leste, até as nascentes do rio Camaragibe, divisando-se por aquelas partes – “ Serra da Palmeira e Poço do Veado” – o termo desta Vila com o julgado de Garanhuns, do termo da cidade de Olinda, da Comarca de Pernambuco, que por linha direita desta nova Vila até confinar com o dito termo de Garanhuns, a terão quinze ou dez e seis léguas pouco mais ou menos de vinte léguas e da boca de Camaragibe onde faz extrema com o termo de Porto Calvo. Se vem com Rumo de Leste ao lugar onde foi a antiga aldeia de Urucú; na beira do rio Mundaú, correndo o Rumo direito até a sobredita Boca da Mata, na dita estrada que vem do Pilar de sorte que donde o termo desta Nova Vila se divide com o termo Vila de Penedo, que por Rumo de Norte a Sul será pouco mais ou menos de vinte léguas, e da Boca da Mata que vem do Pilar, Rumo direito até confirmar com o termo julgado de Garanhuns, serão quatorze léguas, pouco mais ou menos, e toda esta extensão de território que fica dentro da divisas e limites acima nomeados assinou o dito Ministro para termo desta Vila Nova de Atalaia. Quando os oficiais da câmara poderem sair e fazerem Correição nos ditos Limites e Balisas do termo pedirão declaração mais clara do lugar, sitio ou cousa notável que seja conhecida por Balisa, e divisas do mesmo termo do que mandará fazer acento no livro da Câmara não se afastando dos apontamentos sobreditos, e como assim foi determinado o dito termo da Vila fiz este em que assinaram, eu, José da Silva, escrivão da província e dos novos Estabelecimentos, que o escrevi – Manoel de Gouveia Álvares – Ouvidor, José Fagundes Cruz, Manoel Rosário – Sargento Mor, Antonio do Santos, Manoel Fagundes, José Pires da Silva”. Certifico mais que ser constante, público e notório que o lugar Jussara é termo desta vila por terem vários Povos litigados neste juízo, e tratarem de seus direitos, e mais se não continha, excetuando o que atrás declarei do qual me reporto, e vai em verdade, sem coisa que dúvida faça – Conferido e consertado por mim Escrivão da Câmara, mestre imperial Vila de Atalaia de Nª Senhora das Brotas e Santo Amaro aos três dias do mês de janeiro do ano de nosso Senhor Jesus Cristo de 1827 – Escrevi e assinei em teste de verdade. E por mim próprio Escrivão da Câmara – Francisco Manoel de Araújo Costa”.


A extensão territorial era tão grande que os limites de Atalaia chegava até os extremos da Capitania, mas precisamente em Poço do Veado, que ficava situado no Município de Correntes, Pernambuco. Por este motivo a segurança e o policiamento se eram difíceis, o número de crimes cresciam a cada dia, muitas vezes nem denunciados devido à grande distância da sede da cidade. O Conselho Geral reunido em 13 de fevereiro de 1830 solicitou novas vilas, sendo que sua proposta foi aprovada nas sessões de janeiro e 1 e 3 de fevereiro de 1831, enviando para a Comissão de Redação os projetos criando duas novas vilas, desmembradas de Atalaia. A 1ª compreendia as povoações de Macacos, Laje do Canhoto, Juçara, Cabeça de Porco, Murici e Branquinha com a denominação de vila de IMPERATRIZ. A 2ª compreendia as povoações de Riacho do Meio, Lourenço, Passagem, Quebrangulo, Caçamba, Limoeiro e o Juízo de Paz de Capela, com a denominação de Vila de ASSEMBLÉIA.

DECRETO DO IMPERADOR DOM. PEDRO II

“Decreto de 13 de Outubro de 1831. Crêa as villas da Imperatriz e Assembléa. A regencia, em nome do Imperador, o Senhor Dom Pedro Segundo, ha por bem Sancionar, e Mandar que se execute a seguinte Resolução da Assembléa Geral Legislativa, tomada sobre outra do Conselho Geral da Provincia das Alagoas.Art. 1º Ficão creadas duas villas desmembradas da villa de Atalaia, uma ao norte e pela margem do rio Mundahú, no lugar da Camaratuba; sua capital a povoação do Macaco; seu territorio comprehendido nas povoações do – Macaco - Lage do Canhôto – Juçara - Cabeça de Porco - Murici e Branquinha, sua denominação Villa Nova da Imperatriz. - Outra ao norte do rio Parahyba e no lugar Riacho do Meio; sua capital a povoação do mesmo nome; seu territorio o comprehendido nas povoações Riacho do Meio - Lourenço - Passage – Quebrangula - Cassamba e Limoeiro - comprehendendo os juizes de paz das capellas filiaes das mencionadaas povoações, sua denominação - Villa Nova da Assembléa.Art. 2º A Cruz de S. Miguel ao Oeste divide as duas villas novamente creadas, e o termo da villa de Atalaia chegará até onde principiam as quebradas das Serras dos Dous Irmãos e Bananal, em cujo principio das quebradas é a sua divisão, e separação do termo da Villa Nova de Assembléa.José Lino Coutinho, do Conselho do mesmo imperador, Ministro e secretario do Estado dos negocios do Imperio etc. Palacio do Rio de Janeiro em 13 de outubro de 1831, 10 da Independencia e do Imperio. Francisco de Lima e Silva, José da Costa Carvalho, João Braulio Muniz, José Lino Coutinho."

 

IMPERATRIZ - União dos Palmares

O pequeno povoado de SANTA MARIA, antes chamado CERCA REAL DOS MACACOS, foi elevado à categoria de vila e recebeu o nome de VILA NOVA DA IMPERATRIZ, homenagem feita a IMPERATRIZ LEOPOLDINA. Por conta de seu crescimento, a vila foi desmembrada do município de ATALAIA, no dia 13 DE OUTUBRO DE 1831, através do decreto do Governo Geral e elevada à categoria de cidade pela lei 1.113, de 20 de agosto de 1889. Elevado à categoria de vila com a denominação de Vila Nova da Imperatriz, pelo decreto de 13 de Outubro de 1831, desmembrado do município de Atalaia. Distrito criado com a denominação de Vila Nova da Imperatriz, por resolução provincial nº 8, de 10 de abril de 1835.Pela lei provincial nº 737, de 07 de julho de 1876, a vila de Vila Nova da Imperatriz é extinta, sendo seu território anexado ao município de Atalaia, como simples distrito. Elevado novamente à categoria de vila com a mesma denominação anterior, pela lei provincial nº 956, de 13 de julho de 1885.

Elevada à condição de cidade com a denominação de Vila Nova da Imperatriz, pela lei provincial nº 1113, de 20 de agosto de 1889.
Pelo decreto estadual nº 46, de 25 de setembro de 1890, o município de Vila Nova da Imperatriz passou a denominar-se União.
 

Vila Imperatriz por José Monteiro

Estudante de História – UFAL – site http://acordauniao.blogspot.com/2009/06/um-breve-ensaio-uma-outra-historia_14.html

“A Villa da Imperatriz, central, pequena, pobre e de pouco ou nenhum commércio, cultiva algodões e milho, e tem alguma criação de gado; tem uma collectoria, e escola de primeiras letras. No seu município ficam os serrotes do Barriga e do Juçara onde tiveram suas cidades os Pulmarienses, das quais hoje nem vestígios aparecem; tal era a construção de seus edifícios, meras cabanas, vulgo quilombos.”

Antonio Joaquim de Moura, presidente da província de Alagoas, assim caracterizava na primeira metade do século XIX a atual cidade de União dos Palmares: “Central, pequena, pobre e de pouco ou nenhum commercio”, era a nossa cidade por volta do ano de 1844. O historiador alagoano, Manuel Diegues Júnior, em O Bangüê nas Alagoas, ao analisar a história dos bangüês em Alagoas determina a ocupação das terras ocupadas pelos quilombolas a partir da destruição deste, por volta do fim do século XVII. A partir da argumentação de Diegues Júnior, a formação das cidades que hoje ocupam as antigas terras quilombolas só inicia no começo do século XVIII.

Levando em conta o processo de povoamento realizado pós Cerca Real dos Macacos, é preciso compreender, “a sociedade palmarina foi construída em cima da negação da cultura quilombola”. Afirmações do tipo, “O Município de União dos Palmares teve origem em um povoado chamado Macacos, no século XVIII, à margem esquerda do Rio Mundaú” ou num “pequeno povoado de Santa Maria, antes chamado Cerca Real dos Macacos”, não corresponde à verdade histórica. Segundo Décio Freitas, ao ser destruído, do Quilombo dos Palmares, restou apenas alguns quilombolas vagando numa existência miserável, já por outro lado, a ocupação de Domingos de Pino, na primeira metade do século XVIII, parece nos confirmar a negação das raízes quilombolas na formação histórica Palmarina.

União dos Palmares surge a partir do desmembramento do município de Atalaia em 1831, desta forma entender o processo histórico de formação de tal cidade tornar-se fundamental. Atalaia tem sua origem histórica ligada a destruição do Quilombo dos Palmares, o próprio nome Atalaia, “tocaia”, esclarece suas origens. Era no “Arraial do Palmares”, ou seja, Atalaia onde as tropas comandadas por Domingos Jorge Velho se alojaram para atacar o quilombo em fins do século XVII. Como pode ser observado União dos Palmares tem sua origem diretamente ligada a negação do Quilombo dos Palmares, simbolizada por Atalaia (tocaia). Quando Domingos de Pino no começo do século XVIII constrói a Capela de Santa Maria Madalena, que será o primeiro nome do povoado, não está dando continuidade a cultura quilombola, no entanto, está confirmando a ruptura com o Quilombo dos Palmares.

Em 1831 com o desmembramento de Atalaia nasce a Vila da Nova Imperatriz, caracterizada em 1844 pelo atual presidente da província das Alagoas como: “central, pequena, pobre e de pouco ou nenhum commercio”. No principio a afirmação como vila foi conturbada, sendo em 1876 extinta e anexado novamente ao território de Atalaia, só elevada a categoria de vila em 1885. O retorno a Vila neste momento pode ser entendido pela inauguração da estrada de ferro em 1884, 88 km que ligaria na intenção de escoar o açúcar dos bangüês, segundo Manuel Diegues Júnior, a Vila da Nova Imperatriz a Maceió.

ASSEMBLÉIA - Viçosa

Quanto à povoação do núcleo primitivo da atual cidade, só se processou muitos anos depois, conforme revela Alfredo Brandão no “Álbum do Centenário”. Em 1790, um agricultor, por determinação do ouvidor José Mendonça de Mattos Moreira, foi estabelecer residência no sítio Riacho do Meio, para experimentar a cultura do algodão, onde já havia uma cruz que atraía romeiros. Desbravadas as matas, começaram a afluir moradores e a alinha-se as primeiras casas de madeira na localidade. O solo do município, pela sua disposição topográfica e excelentes condições físicas – riquezas em matas, numerosos cursos de água e fertilidade das terras - se mostrou propício para o cultivo da cana-de-açúcar como também para a implantação de muitas destilarias, casas de farinha e engenhos. Devido ao grande número de engenhos e a proximidade entre eles, as festas eram constantes e havia uma quantidade significava de cantadores, mestre de folguedos, tocadores de pifes entre vários artistas. Ainda segundo Alfredo Brandão, os descendentes dos negros junto aos adolescentes dos índios, mais tarde, teriam ajudado a formar a classe proletária da nova povoação assim chamados de cambembes como referência aos antigos habitantes. O dicionarista Aurélio Buarque de Holanda registra: “Cambembe. Brasil, AL. No município de Viçosa, pessoa humilde que mora no campo”.

Nomes que Viçosa recebeu
RIACHO DO MEIO – de 1790 até 1831: Tal denominação deriva da existência de um riacho que atravessa o centro da cidade e que se situa entre outros dois – o Riacho Gurumgumba e o Riacho Limoeiro. Daí o nome Riacho do Meio. Duas lendas narram à gênese da referida povoação: A primeira, menos divulgada, relata na margem do Riacho Gurugumba, no Sabalangá, existia há muitos anos um preto velho caçador, e na margem do Riacho Limoeiro outro caçador, também preto e velho. Sendo companheiros de caça, tinham sempre como ponto de encontro, o Riacho que passava no centro, a igual distância dos outros dois, o qual teve a denominação de Riacho do Meio, nome que se estendeu mais tarde ao arraial que se fundou em suas margens.
A segunda lenda, mais conhecida, refere que todos os anos, pelo Natal, um padre saía de Atalaia para rezar a missa do galo na passagem (povoação próxima à cidade de Quebrangulo). Certa feita, havendo chovido durante o dia, o padre, chegando a margem de um Riacho que se situava a igual distância de outros dois (Gurmgumba e Limoeiro), encontrou-o tão cheio de que foi impossível atravessá-lo. Sem esperança de prosseguir viagem, procurou o outeiro mais próximo, ergueu uma cruz e celebrou a missa de Natal. Essa cruz acabou por atrair romeiros, aos quais se devem as primeiras habitações. O lugar tomou o nome de Riacho do Meio.

VILA NOVA DE ASSEMBLÉIA – de 1831 até 1890. Através de decreto de 13 de outubro de 1831 a aprovação é elevação á categoria de Vila e é desmembrada de Atalaia. Outrora era bastante comum a reunião dos habitantes da povoação para as cinco da tarde e em suas calçadas, discutir da lavoura, comentar os problemas, e, sobretudo, para encontrar soluções e novas idéias. Muitas vazes, vindos dos sítios para a compra de cereais, juntavam-se aos habituais freqüentadores das reuniões, as pessoas vindas da zona rural, com sua ingênua curiosidade e sua tradicional discrição – atentos, bocas cerradas, dizia-se então que construíam uma assembléia.

Estas povoações desmembradas de Atalaia ficaram com áreas tão extensas que deram origem a formação de outros municípios.

 

  Edição: Phablo Monteiro

  Fonte: www.vicosadealagoas.com.br e www.uniaodospalmaresal.com.br

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